Não acabem com nosso scrum!
Esta página foi atualizada pela última vez em January 25, 2008 @ 8:12 am18.04.2007 - Com o sumiço de Steve Thompson e Brendan Cannon do radar do rugby nesta semana, o scrum novamente irá para a berlinda. As novas regras estão funcionando? Não aprendemos nada com a sova do ano passado? A primeira linha não está se tornando perigosa demais?
É um vento perigoso este que trouxe os acidentes até nós. Azares do destino tiraram de nós dois dos melhores protagonistas de nosso esporte, e trás à tona, novamente, um delicado debate.
Quão alto será o preço a ser pago até que o scrum torne-se alguma coisa mais segura e controlável?
Hooker’s são geralmente deixados de lado nas discussões sobre a primeira linha. As atenções ficam voltadas para os pilares: como eles encaixam, o ângulo de ataque e etc; mas o hooker fica meio isolado. O hooker choca sob a mercê dos pilares e do resto do scrum. Se os pilares o abandonarem, ele não tem nem mesmo uma mão livre para tentar se equilibrar quando o scrum implodir. É uma posição desesperadora se tudo sair errado.
Seria uma possibilidade acabar com o scrum, ou ainda está muito cedo? Será que realmente queremos nosso scrum dilacerado à la rugby league?
Contusões que finalizam carreiras são assustadoras, mas quando se pára para pensar quantos scrums ocorrem sem nenhum incidente, o fato de termos dois jogadores que se aposentaram, devido a lesões no scrum, na mesma semana, não passa de uma miserável coincidência. O scrum é uma parte perigosa do jogo, mas mudá-lo seria mudar toda a imagem do rugby. Completamente.
Existe toda uma atmosfera ao redor do scrum que deve ser analisada, e não se trata somente das regras. Os jogadores devem ter uma certa quantia de responsabilidade, assim como os oficiais da partida. Foi um avanço os juízes da lateral poderem informar o juiz sobre atitudes ilegais dos pilares, e mais penalidades foram sendo aplicadas.
Existe muita “bateção de cabeça” na primeira linha. Por outro lado, quando foi a última vez que você viu oficiais de partida que participaram do lado mais escuro do rugby no passado? As pessoas dizem que o scrum é pouco fiscalizado, mas parece que na maioria dos casos, erros e artimanhas passam despercebidos pelos oficiais simplesmente por falta de experiência e maldade.
Simplesmente acabar com o scrum, ou acabar com a função que ele serve para um time de rugby, seria como amputar um braço devido a uma unha encravada. Uma solução débil que não precisa ser levada em consideração.
Com as mudanças nas regras em 2007, a IRB começou um razoável processo de mediação no scrum, mas parece que mesmo com as novas regras em vigor, o problema continua a crescer. Infelizmente esta é a natureza do esporte - um truque ilegal ou uma atitude física que irá garantir alguns centímetros a mais serão usadas infinitamente se não forem policiadas. E existem truques mirabolantes na primeira linha.
O que o scrum precisa é de uma boa chibatada de um chicote disciplinador, além de oficias que já estiveram na primeira linha, ou no scrum em geral. Se todos os scrums estivessem sujeitos à análise dos oficias de televisão (que uma vez já tivessem jogado na primeira linha, e não soubessem apenas as regras), se - mesmo em análises pós-partida - existissem penalidades mais duras por derrubarem o scrum deliberadamente, ou por truques que fossem pegos pelos ângulos das câmeras, mas que passam despercebidos aos olhos nus dos oficiais, talvez então veríamos os perigos diminuindo.
Poderíamos ter, inclusive, uma comunicação em tempo real entre algum oficial de televisão, que fosse um ex-jogador da primeira linha, para que entrasse em contato com o juiz no caso de alguma atitude ilegal. A tecnologia é vista por muitas como intrometida para o game-play, mas quando se trata de segurança, como pode ser alguma coisa além de crucial?
O scrum ainda não precisa acabar. Centenas, não, milhares de pilares, hooker’s e outros membros do scrum passam horas por dia nas suas scrum-machines e academias ao redor do mundo do rugby, preparando-se para o stress único que cada scrum lhes proporcionam.
É mais do que justo para todos nós que jogamos, identificar onde estão os perigos e lidar com eles, rápida e firmemente, ao invés de simplesmente acabar com seus papeis no rugby.