BH Rugby perde para o Pasteur

 

O Belo Horizonte Rugby perdeu sua terceira partida no Super 10 2011, jogando em casa, perante o Pasteur Athletique Club.

Por: João Gualberto Jr.
Fotos: Mariana Tavares / Divulgação

Num confronto em que dois adversários têm forças equivalentes, a consistência é o que define o resultado: vence quem erra menos. Assim pode-se resumir a partida entre Belo Horizonte Rugby Clube e Pasteur Athletique Club, disputada na capital mineira na tarde desse sábado (20). Se os anfitriões demonstraram força superior nos 80 minutos, recuperando bolas perdidas em rucks, vencendo scrums e avançando sobre o campo rival na base de seus forwards, cometeu erros defensivos capitais. Alguns momentos de desatenção e falta de foco custaram ao BH Rugby a perda da chance de vencer o único jogo que disputa em casa nessa primeira fase do Super 10.

Já o Pasteur foi mais compacto e competente. Aproveitou bem as falhas do adversário e administrou a vantagem que teve durante todo o jogo. Demonstrou ter mais controle das situações apesar da média de idade inferior à dos rivais. Dos quatro tries anotados pelos paulistas, três nasceram de lances de indecisão dos backs mineiros na sua área de 22 metros. Foram “bolas vivas” que acabaram nas mãos dos franceses e dominadas até o in-goal. Cabe ressaltar nos vencedores dois méritos: a resistência quase sempre eficaz aos avanços dos forwards mineiros e o aproveitamento das oportunidades.

Foi assim no primeiro lance do jogo. Após dar a saída, o Pasteur avançou e abafou um chute de desafogo, recuperando o rebote e anotando o primeiro try da partida, do segunda-linha Olyntho Júnior. Passado o primeiro susto, o confronto se equilibrou. Em termos gerais, o jogo foi truncado, a bola foi mais disputada nos rucks e mauls do que esteve em jogo aberto pelas linhas, em velocidade. Nos primeiros quarenta minutos, os belo-horizontinos foram mais dispostos e eficientes tanto nas disputas em solo quanto nas formações fixas.
A estratégia dos anfitriões foi clara desde o princípio: avançar na força de seus forwards, em jogadas de base, para tentar chegar ao in-goal. Assim anotou seu único try do primeiro tempo, aos 19 minutos, graças a uma sequência de fases bem executada que terminou nas mãos do pilar e treinador, Jorge Imparato, que apoiou a bola ao sair de um ruck.

Mas, antes disso, novamente devido a uma bobeada de seus homens de trás, o BH Rugby tomou outro try. O asa do Pasteur Diego Lopez, da seleção brasileira, assumiu o controle de uma bola livre dentro da área de 22 metros dos mineiros e a apoiou. Os times trocaram de campo com o placar em 12 a 8 para o Pasteur.

Na segunda etapa, os paulistas conseguiram ter mais tranquilidade para resistir às investidas dos forwards adversários, e, por conta do calor, na casa dos 30 graus, o treinador do Pasteur realizou algumas substituições. Foi aproveitando novas falhas de domínio de bola dos mineiros que os visitantes marcaram novo try aos 4 minutos, com Gustavo Badino, e outro aos 20, com o centro Felipe Bezian. Conseguiram administrar a vantagem com competência até o fim.

Já o BH Rugby, menos intenso na busca pela posse de bola do que no primeiro tempo, seguiu com dificuldades para infiltrar no paredão azul e vermelho. A intensidade do jogo foi reduzida com o desgaste das duas equipes. O time da casa da casa ainda aproveitou o fôlego final nos últimos instantes para anotar seu segundo try, o mais belo da partida. A jogada foi em extrema velocidade. O ponta Pedro Olavo avançou com a bola e, antevendo o tackle, passou ao full-back Felipe Damasceno, que correu em diagonal. O hooker Lucas Israel recebeu a bola e partiu em velocidade para cair no in-goal paulista.

O retorno do BHR à elite do rugby brasileiro tem sido cheio de percalços. Por ter herdado a vaga do Federal Rugby a poucas semanas do início do Super 10, teve que mandar sua estreia em São Paulo ao invés de em Belo Horizonte. O jogo contra o Desterro, no dia 30 de julho, foi o mais duro dos três disputados até agora: 58 a 17 para os catarinenses. Na segunda rodada, nova derrota no Paraná contra o Unibrasil/Curitiba. Em um confronto mais equilibrado, no dia 13, acabou superado por 37 a 25, e apresentando as falhas de concentração que repetiu neste fim de semana. Agora, não conseguiu aproveitar o apoio de sua torcida para vencer o Pasteur jogando, de fato, em casa.

O treinador, Jorge Imparato, lamentou bastante os erros cometidos defensivamente. “Erramos muito na parte de atrás e tomamos ponto por causa disso”. Contudo, reconhece uma evolução gradual no time, o que o faz entender que será possível, sim, escapar do fantasma do rebaixamento. “Estamos melhorando a cada jogo, aprendendo mais. E vamos continuar trabalhando”, salientou.

O próprio árbitro da partida, Renato Scalércio, reconheceu a evolução dos mineiros, que, segundo ele, perdeu nos detalhes e para a juventude dos paulistas. Na parte disciplinar, a partida não exigiu muito de Scalércio, que não precisou aplicar advertências. Da parte do Pasteur, a resistência do conjunto defensivo foi o principal destaque do time. O jogo em Minas foi apenas o segundo, já que o PAC descansou na rodada passada. Na estreia bateu o Curitiba em casa por 21 a 3.

Apesar da vitória, a postura da formação nesse sábado não agradou o treinador Youssef Driss, principalmente no primeiro tempo. “Nosso time estava nervoso, não sei por que, se foi o calor, a torcida. Não conseguimos nossos objetivos em boa parte. Não entramos com força nos rucks”, criticou.

Individualmente, tiveram bom desempenho pelos paulistas o oitavo Júnior Orioli, com bons avanços e chutes quase sempre precisos para o H. Além dele, brilhou Thiago Maihara, que começou como half-scrum e assumiu a ponta no segundo tempo. A velocidade e os dribles de corpo do atleta são uma arma poderosa do Pasteur. Ele, como o treinador, também acredita que o time poderia ter rendido mais, com uma performance mais concentrada.

“No segundo tempo, aproveitamos mais as falhas deles, talvez pelo cansaço, e conseguimos fazer os tries”, comentou Maihara.

Placar final: BHRugby 15 X 24 Pasteur

BH Rugby
Tries: Jorgito (1), Pinta (1)
Conversões: Daniel “Canadá” Baeta (1)
Penais: Daniel “Canadá” Baeta (1)

Pasteur
Tries: Olyntho (1), Diego Lopez (1), Gustavo Badino (1), Felipe Zeni (1)
Conversões: Júnior Orioli (2)

 
 
 

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