A NZ quer apenas 16 times na RWC 2011

 

A IRB quer diminuir de 20 para 16 o número de seleções que disputarão a Copa do Mundo de Rugby de 2011, que será realizada na Nova Zelândia, por acreditar que os espectadores kiwis irão desrespeitar as partidas dominadas por uma equipe.

A previsão de que os fãs neozelandeses não demonstrariam interesse nas partidas entre as equipes mais fortes e as mais fracas, ou que sairiam cedo dos estádios, é a desculpa apresentada pela NZRU para a possível redução para 16 times no mundial, disse Bernard Lapasset, provável novo diretor da IRB.

Lapasset, presidente da French Rugby Federation (FFR) e provável sucessor do irlandês Syd Millar na direção da IRB, é favorável às 20 seleções no evento, apesar dos elásticos placares apresentados neste mundial, e admite que foi pressionado pela Nova Zelândia para manter o formato de 16 equipes no mundial.

Alguns oficiais australianos também garantem que a NZRU está determinada a realizar a Copa do Mundo de Rugby de 2011 com apenas 16 times – e que não contariam com o apoio da Austrália se a quantidade de equipes for reduzida.

“Eu acredito no mundial com 20 equipes, uma vez que a redução para 16 seleções dificulta a difusão do esporte internacionalmente, e é justamente isso que não queremos,” disse Lapasset, apontando o destaque que o mundial trouxe para os países fracos, como Portugal e Geórgia, que finalmente conseguiram exposição na televisão de seus países, atraíndo mais pessoas para o esporte.

“Mas agora, com a Nova Zelândia sediando a Copa do Mundo em 2011, eu não sei como serão as coisas. Se vinte equipes jogarem em território kiwi, em particular nas menores cidades, será que os fãs não abandonariam os estádios antes do término da partida? Com 20 equipes, acontecem placares elásticos.”

Ou alguém está impedindo Lapasset de ver a verdade, ou então, o diretor da segunda maior federação de rugby do mundo realmente acredita que os neozelandeses deixarão os estádios aos montes.

Os kiwis podem ser o público de rugby mais exigente do mundo, uma vez que as competições, do nível provincial ao nacional, são de altíssimo nível, mas o problema todo não é este, e sim o diminuto tamanho do país.

Existem indícios de que a infraestrutura neozelandesa não suportaria o adicional de quatro times, sem contar com a pequena audiência televisiva que as seleções mais fracas iriam gerar, uma vez que as partidas serão disputadas em um lugar com o fuso horário bastante diferente do resto do mundo, o que tornaria a audiência nestes países ainda menor.

Ao cortar quatro times, o ônus da competição seria menor, e minimizaria o impacto televisivo.

Projeções iniciais indicam que a NZRU irá perder NZ$30.000.000,00 (algo em torno de 25,5 milhões de dólares) se o evento for com as 20 equipes.

Além disso, uma das exigências neozelandesas para que sediassem o próximo mundial, era a redução de seleções.

Lapasset disse que irá discutir o assunto com o diretor da New Zealand Rugby Union, Jock Hobbs, em Paris.

“O Rugby está se tornando, cada vez mais, um esporte global, e o torneio com 20 equipes ajuda bastante no desenvolvimento do esporte ao redor do mundo, mas terei que conversar com Jock,” disse Lapasset.

Lapasset acredita que as minorias fizeram bonito em suas participações na França.

As vitórias dos All Blacks por 108 a 13 sobre Portugal e 85 a 8 sobre a Romênia, e vitória dos Wallabies sobre o Japão por 91 a 3, foram assistidas por estádios lotados, que torceram, vibraram e em momento algum, saíram cedo dos estádios.

“Foi uma boa escolha optarmos pelas 20 equipes na França. Todas as equipes fizeram seu show.”
Um dos grandes problemas da redução para 16 seleções, é a grande possibilidade do Japão ficar de fora, o que acarretaria em uma perda de milhões de dólares em patrocínios e anúncios televisivos.

O acordo da IRB com o país anfitrião do mundial é o seguinte: a IRB detém todos os direitos de imagem, recebe todo o patrocínio e receita com produtos do mundial, enquanto o anfitrião cobre os custos e fica com a receita do público pagante nos estádios.

“Nós temos que arrumar um lugar para o Japão. A Austrália é totalmente contra a redução das equipes participantes. Queremos 20,” disse um executivo da ARU.

Os oficiais das nações da Copa do Mundo de Rugby irão reunir-se em Paris nesta semana, e a previsão é que o clima esquente nas reuniões e jantares marcados.

Ao contrário do International Olympic Committee, que faz suas reuniões na semana seguinte ao término das Olimpíadas, a IRB faz os seus encontros alguns dias antes da final, para garantir que todos os oficiais das equipes participantes do mundial assistam os playoffs.

“A Nova Zelândia está batendo na tecla de redução para 16 times, mas as performances de Portugal, Geórgia, Tonga e etc, poderão forçar uma revisão de tudo que já foi planejado,” disse o executivo australiano, que preferiu não divulgar seu nome.

“De uma hora para a outra, as nações do hemisfério norte perceberam que 16 times não é o jeito certo. Ao cortarmos quatro equipes, perde-se o show e o entretenimento causado por alguns times, como Tonga.”

A única certeza que podemos ter sobre a Copa do Mundo de Rugby 2011, é que os Wallabies e os All Blacks serão seeds entre 5 e 8, ou seja, não serão cabeça-de-chave em nenhum dos grupos, e terão, no mínimo, um jogo duro na fase de grupos do mundial, ao contrário desta RWC, quando as duas equipes atropelaram todos os adversários dos grupos, por serem equipes fracas em comparação às duas potências da Oceania.