Os Pumas analisam os Springboks

 

África do SulFaltando apenas um dia para a semi-final, cinco Pumas analizam as qualidades, os defeitos e os segredos da formação dos Boks, linha por linha.

Primeira linha
por Alberto Vernet Basualdo

Os três são jogadores muito pesados, grandes e fortes. Os du Randt (125kg / 1,90m), pilar aberto, é mais experiente, e seu tamanho é um destaque; encontrará do outro lado Scelzo, que tem o mesmo peso e conseguirá controlar du Randt. John Smit (116kg / 1,86m) é um hooker completo e muito bom, mas Ledesma é indiscutivelmente melhor. Gosto muito do estilo de jogo do kiwi Anton Oliver e do gaulês Ibañez. O pilar fechado, CJ Van der Linde (122kg / 1,90m), como todo sul-africano, é forte e potente. Os três formarão uma primeira linha muito firme. Como neutralizá-los? É difícil para os jogadores pesados formarem bem beixo, portanto iremos variar durante a partida, formando perto, baixo e alto, até identificarmos a melhor forma de encaixar.

Segunda e terceira linha
por Rimas Alvarez

O que impressiona é o tamanho do pack sul-africano, porém esta é uma característica que eles sempre tiveram. Os forwards sentem-se confortáveis quando avançam, então, o segredo está em impedir o avanço deles. Têm homens grandes que conseguem forçar uma brecha na defesa. Bakkies Botha (118kg / 2,02m) e Victor Matfield (110kg / 2,01) formam uma das duplas mais fortes do mundo – jogam juntos há muito tempo e se conhecem muito bem. O asa Schalk Burger (110kg / 1,93m) é um monstro tackleando e excelente para “roubar” a bola. Juan Smith (106kg / 1,94m) também é duro na defesa, e é muito difícil passar do oitavo Danie Rossouw (118kg / 1,97m).

Vamos ter que posicionar bem a defesa o tempo todo, tacklear muito e estarmos prontos para tacklear novamente em menos de um segundo. Estes jogadores são fortes e habilidosos. Se você tentar tacklear alto, eles te jogam para trás, e quando começam a avançar, o jogo fica perigoso. Por isso, o tackle vai ser bem baixo, e depois tentaremos roubar a bola bem rápido.

Half-scrum, abertura e os centros
por Manuel Contepomi

Fourie Du Preez, o half, vem fazendo um mundial espetacular; fisicamente é uma besta – corre, entra de cabeça e vai pra frente. Podemos compará-lo a Joost van der Westhuizen, lendário camisa 9 dos Springboks (e o jogador mais selecionado na história da seleção), que possuia um bom físico, excelente passe e boa visão de jogo. Tirando algumas diferenças, porque, para mim, Hernández é mil vezes melhor, Butch James parece um pouco com o Mágico: bom tackle e bom chute. Não é tão bom e tão lúcido como Juan, ou até mesmo, André Pretorius – o abertura reserva – mas seu tackle é excelente, coisa que vemos em poucos aberturas, como Hernández, Felipe Contepomi, e o inglês Wilkinson.

A maioria das equipes ataca pelo canal do abertura, mas com a África do Sul e Argentina, isso não será conveniente. Pelo que vi, Du Preez-James e Pichot-Hernández são as melhores duplas do Mundial.

A dupla de centros é muito boa. Um completa o outro. François Steyn (100kg / 1,91m), é uma das maiores promessas dos Boks, e é um jogador muito criativo, que entende o jogo e joga muito bem com as mãos. Junto com Jaque Fourie (96kg / 1,88m), parecem uma muralha – são grandes e fortes. Steyn é hábil e sabe procurar os buracos, enquanto Fourie é potente, chama a marcação e rompe a defesa. É, sem dúvida, uma grande dupla.

Os Pontas
por Lucas Borges

Conhecia pouco JP Pietersen (1,91m / 85kg) e ele me surpreendeu no Mundial. Está sempre atento e é forte no contato. Gostei dele. Já Bryan Habana, um dos pontas mais rápidos do mundo, está na disputa pelo título de melhor jogador do ano. Habana aproveita as oportunidades e os buracos. Temos que ficar de olho nos dois e não podemos dar espaço para eles – são explosivos e alertas para romper qualquer brecha na defesa. Como neutralizá-los? Ficar em cima o tempo todo e aproveitar qualquer oportunidade que surgir para deixá-los para trás.

O full-back
por Ignacio Corleto

Percy Montgomery é um jogador com muita experiência, muito tático e um chutador excepcional. Não é um jogador que poderia nos surpreender com um contra-ataque correndo por todo o campo. Poderia fazê-lo sim, mas não é seu estilo nem costume. É bom na defesa e excelente na recepção de bola. É muito completo.