Portugal já ganhou sua Copa
O time de amadores da península Ibérica conquistou sua vaga através de caminhos tortuosos, e foi a última equipe a garantir um lugar na RWC, ao derrotarem magnificamente o Uruguai, por 24 a 23, em março.
A gloriosa vitória garantiu aos Lobos um lugar no Grupo C, com os favoritos neozelandeses, e Escócia, Itália e Romênia – figuras carimbadas em Copas do Mundo.
“Para nós, o fato de chegarmos a uma Copa do Mundo, já é uma conquista fantástica. Um sonho que se realizou,” disse o treinador Tomaz Morais.
“A nossa Copa do Mundo foi chegar até aqui, e agora queremos sair com dignidade, mantendo a cabeça erguida contra a elite do rugby mundial. Não temos nenhuma ilusão. Sabemos as dificuldades que vamos enfrentar, mas estamos indo para a França com muita empolgação e daremos tudo de nós, em todos os minutos, em todas as partidas,” disse Morais.
O treinador português, jogou internacionalmente como centro, e aos 37 anos é um dos treinadores mais jovens do torneio. Ao ser questionado se times mais fracos, como os Lobos, não têm lugar no evento, ele dispara:
“No rugby existe uma enorme diferença entre os cinco melhores times, e o resto. Se já seria difícil o bastante para times do segundo escalão, como Escócia, Gales e Argentina, ganharem a competição, imagina os mais fracos? Esse tipo de coisa acontece em todos os esportes. Nas Olimpíadas, por exemplo, existem nadadores que sabem que não têm a menor chance de ganhar alguma coisa, mas estão lá do mesmo jeito. Na Copa do Mundo de Rugby também é assim.”
O time lusitano conta com apenas três jogadores profissionais, que atuam na França. Os outros 27 jogam na Liga Portuguesa.
“O fato de sermos praticamente todos amadores, faz uma grande diferença. Os outros times virão com um condicionamento físico muito superior ao nosso, porque eles podem dedicar muito mais tempo à musculação, o que permite que eles joguem com muito mais intensidade e consistência. O elemento físico é definitivamente um problema,” aponta Morais.
O treinador acredita que Vasco Uva, capitão e oitavo, seus irmãos Gonçalo e João, o fullback Pedro Leal e o ex-centro do Munster Diogo Mateus serão os jogadores de destaque da seleção portuguesa na França.
As preparações portuguesas para o maior evento de sua história no rugby, incluíram training camps, e uma série de partidas de aquecimento na Inglaterra e no Canadá, além de enfrentarem o Japão, quando foram derrotados por 15 a 13.
A única reclamação de Morais é com o calendário das partidas. O primeiro encontro será contra os escoceses, depois enfrentarão os kiwis e os carcamanos da Itália, e somente então, a Romênia, de quem esperam ganhar.
“O único pesar é que enfrentaremos a Romênia por último. Queríamos muito jogar nossa segunda partida contra eles, pois são eles que nós definimos como nosso objetivo de vitória. As partidas anteriores irão requisitar muito de nossos jogadores, mental e fisicamente, o que irá dificultar nosso encontro com os romenos,” finalizou Morais.

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